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Cora-Coralina
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Em Dicas 18/02/2016

Dia da Poesia – Vida e obra de Cora Coralina

No próximo sábado, dia 14, comemora-se o dia da poesia, e porque não homenagear uma das maiores poetas brasileiras?

É com orgulho que enchemos a boca pra dizer que uma goiana deixou caminhos tão bonitos e uma história digna de ser compartilhada. Ana Lins dos Guimarães Peixoto Bretas, a famosa Cora Coralina, nasceu em agosto de 1889 na cidade de Goiás. Considerada uma das principais escritoras brasileiras, era uma mulher simples, doceira de profissão, que viveu longe dos grandes centros urbanos, alheia a modismos literários, e produziu uma obra poética rica em motivos do cotidiano, em particular dos becos e ruas históricas de Goiás.

Nascida e criada às margens do Rio Vermelho, na mesma casa para a qual seu avô se mudou ainda criança, Cora era filha do desembargador nomeado por D.Pedro II, Francisco Paula Lins Guimarães Peixoto com dona Jacintha Luiza do Couto Brandão. A poeta começou a escrever os seus primeiros textos aos 14 anos, publicando-os nos jornais da cidade de Goiás, e nos jornais de outras cidades, como por exemplo o semanário “Folha do Su” da cidade goiana de Bela Vista.

Em 1911, fugiu para o estado de São Paulo com o advogado Cantídio Tolentino de Figueiredo Bretas, que exercia o cargo de Chefe de Polícia do governo do presidente Urbano Coelho de Gouvêa (1909 – 1912), onde viveu durante 45 anos. Inicialmente nos municípios de Avaré e Jaboticabal teve seus quatro filhos: Paraguaçu, Cantídio, Jacintha, e Vicência. Em 1924, mudou para São Paulo. Com a morte do marido na capital, no ano de 1934, passou a vender livros para sustentar os filhos, até voltar para a cidade de Goiás em 1956.

Se achava mais doceira do que escritora. Considerava os doces cristalizados de caju, abóbora, figo e laranja, que encantavam os vizinhos e amigos, obras melhores do que os poemas escritos em folhas de caderno. Ao completar 50 anos, a poetisa relata ter passado por uma profunda transformação interior, a qual definiria mais tarde como “a perda do medo”. Nessa fase, deixou de atender pelo nome de batismo e assumiu o pseudônimo que escolhera para si muitos anos atrás. Durante esses anos, Cora não deixou de escrever poemas relacionados com a sua história pessoal, com a cidade em que nascera e com ambiente em que fora criada. Ela chegou ainda a gravar um LP declamando algumas de suas poesias.

Aos 70 anos, decidiu aprender datilografia para preparar suas poesias e enviá-las aos editores. Só em 1965, aos 75 anos, ela conseguiu realizar o sonho de publicar o primeiro livro, “Poemas dos Becos de Goiás e Estórias Mais”. Ana Lins dos Guimarães Peixoto Brêtas viveu por muito tempo de sua produção de doces, até ficar conhecida como Cora Coralina, a primeira mulher a ganhar o Prêmio Juca Pato, em 1983, com o livro Vintém de Cobre – Meias Confissões de Aninha.

Cora, que começou a escrever poemas e contos aos 14 anos, cursou apenas até a terceira série do primário. Nos últimos anos de vida, quando sua obra foi reconhecida, participou de conferências, homenagens e programas de televisão, e não perdeu a doçura da alma de escritora e confeiteira.

Para celebrar, delicie-se em um doce poema de Cora Coralina:

Aninha e suas pedras

Não te deixes destruir…

Ajuntando novas pedras

e construindo novos poemas.

Recria tua vida, sempre, sempre.

Remove pedras e planta roseiras e faz doces. Recomeça.

Faz de tua vida mesquinha

um poema.

E viverás no coração dos jovens

e na memória das gerações que hão de vir.

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